quinta-feira, 28 de junho de 2007

Kill Gerson



Quantos já não disseram a seguinte frase: "minha vida daria um roteiro de de um longa"? Eu nunca falei. Antes. Depois de pensar melhor, digo que daria um razoável. Bem, boa parte do filme seria ocupado pela figura materna, como alguns já sabem. Entretanto, isso é coisa pra Almodóvar, e eu não sou peroba.


Uma parte interessante desse filme certamente teria um título tarantiniano: "A noiva".


Como muitos também sabem, sou um entusiasta dos relacionamentos longos. Namoro pra mim era sempre o último. Por conta disso, fiquei noivo quase cinco anos da minha namorada. Casei com outra.


A noiva sempre me fazia sentir mal. Gastava o que eu não tinha. Comprava o que eu não usava. Sempre falava o que não devia.


Sou um profissional das letras e, na época, estava na graduação. Imagine para um quase professor ouvir palavras saírem da boca de sua "amada" que estavam totalmente fora de contexto. Era uma aberração. Até que ela tornou tudo mais fácil: "Ou a faculdade, ou eu." A conjunção ou pode ter valor inclusivo ou exclusivo. Eu nem quis saber. Free at last.


Assim pensava.


O diretor me reservou momentos de terror. Ataques-surpresa na faculdade. Cenas em público -"Você tem que falar comigo!". Telefonemas. Chantagens com a minha mãe - que, por sorte, estava em crise de depressão e não se lembra de nada até hoje.


A noiva queria me matar. Os irmãos sugeriam um processo. E eu, inocente, só soube anos depois. A ignorância é uma bênção.


A noiva ficou com o espólio: geladeira, máquina de lavar, televisão; eu, com dor na consciência, ainda perguntei:

"E aí, como é que você está? Está mais magra, hein!"


"Sim. Por sua causa."


Peguei a parte que me cabia no latifúndio e parti para o outro lado da ponte.


Sou inocente. Sempre fui. Mas sempre fiquei com essa história entalada. As noivas são muito cruéis. Eu sei que praga de mãe é foda, mas a de ex-noiva eu não estava a fim de descobrir.


quarta-feira, 27 de junho de 2007

Pros lingüistas de plantão


O ato mais solene do Direito é o casamento, caso alguém não saiba. Se, por um acaso, o noivo ou a noiva fazem uma gracinha na hora do "É de livre e espontânea vontade...", ou na hora do "Sim", o responsável encerra na hora a cerimônia. O negócio é sério. Casamento é coisa séria. Pelo menos pra justiça. O problema é o casal.

Nossa sociedade aprendeu a conviver com uma monogamia variável. Casa-se com alguém legalmente, mas existem as chamadas companheiras variantes.
Não tem aquele papo de lingüista de que, dependendo do contexto, pode-se falar com naturalidade "a gente vamos"ou "Chegou as compra"? Então, dependendo também do contexto, sua companheira variante também será aceita.

Obviamente que, em situações formais, sempre se deve usar a forma de prestígio, ou seja, a esposa. Não se usa forma variante na missa papal, por exemplo. É sempre Vossa Santidade e nunca "Meu camarada". Ou seja, leva-se em conta sempre a padrão.

É engraçado que as formas variantes comportam-se de maneira independente. Não têm a menor ligação com a forma padrão, de prestígio social. Aliás, ignora-se por completo a forma original. Parece que o fato de não se conhecerem faz com que uma ou outra não existam. Isso é bom, pois, quando as duas formas se esbarram, há um choque entre universos que ninguém gostaria de presenciar.

E como fica o usuário nessa história toda? Como se sabe, existem universais lingüísticos que determinam a gramática das línguas. Todas têm algum aspecto em comum. As regras fazem parte do processo. Por exemplo, se usou verbo transitivo, tem de trazer o complemento. No casamento é a mesma coisa: assinou o contrato, cumpram-se as normas estabelecidas; obedeça-se à lei.

Só que a variação é inerente a qualquer língua. Por mais que se mantenha a forma padrão, as formas variantes estão sempre a disposição. O problema todo está no contexto...

terça-feira, 26 de junho de 2007

Dicen que la distancia es el olvido


Gostaria de saber a partir de quando se institucionalizou esse negócio de namoro a distância. Essa é a pior desculpa que existe pro casal "começar-a-conhecer-novas-pessoas-com- consentimento-já-que-você-não-está-aqui".


Aquele papo de que o amor sobrevive a tudo é conversa. Pra começar, se há amor, um dos dois se vira pra ficar perto do outro. A distância duraria, no máximo, uma semana. Só.


Fico impressionado com esses casais que insistem nesse modelo de relacionamento, pois não há um pingo de sinceridade.


- Tem muita mulher aí onde você tá?

- Que nada. Mesmo que tivesse, pra mim só tem uma.


Ele não mente. Só que, na cabeça da namorada, essa uma é ela. Ele fala de "uma de cada vez".


- Vê lá o que você vai fazer nesses três meses, hein!


- Que esso! Quem sou eu?


Tradução: já estou fazendo. Aliás, neste momento, estou "fazendo" duas nativas...


E aqueles namoros que começam na rede? Não se fala mais em perigos de ela ou ele serem pessoas toscas, impróprias. Entretanto, um mínimo de cuidade só pode ter. Primeiro: sempre se mente sobre a distância de sua casa até algum centro civilizado. Afinal, se você mora tão bem assim, pode se arrumar por perto.


- Você mora onde?

- Rio Bonito.


- Não conheço. Onde fica?
- Sabe Niterói? Pois é.

- Pô, tu se parece com alguém conhecido?

- Saca a Lindsay Lohan?

O cara se anima. E aí? Faz o quê da vida?

Respostas erradas:

- Trabalho pra uma empresa de transportes...

Tradução: Sou cobradora da Rio Ita. Sente a pressão!
Outra:

- Trabalho na Viena Delicatessen...


Alguém aí já comeu no Viena? Já viram mulher bonita lá? Bem, já que é a distância...

A distância, até a Ísis de Oliveira namorou o George Clooney! E até cama nova o cara teria encomendado! Num universo paralelo talvez isso dê certo. Bem, pelo menos dá certo com meu filho e a namorada dele: só ele sabe.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

I don´t wanna wait...



Se sua vida desse origem a uma série de tv, seria um drama ou uma sitcom?

A minha teria trechos dos dos dois. Misturaria "Dawson´s Creek" com "Seinfeld". A frustração estaria na primeira parte; a vingança, na segunda.
Com esses meus amigos vivi mais momentos seinfeldianos do que dawsonianos. Todos sobrevivemos. Somos todos assunto de todos. Amigo que é amigo fala mal de amigo. Do melhor amigo.
Amigo que é amigo vira post de blog. Não te telefona. Não manda mensagem. Ainda assim, você telefona pra ele.
E o amigo te atende como se nada tivesse acontecido. E nada realmente aconteceu. Essa é a parte Dawson. Aí você ri com a desgraça do outro amigo em comum. Aí é Seinfeld.
É bom ter amigos. Mas não quero mais nenhum. É muita responsabilidade. É mais gente pra magoar. Aí não. Não quero magoar mais ninguém. Já basta a minha mãe.
Eu quero uma vida "Friends", mas não quero ser o único Chandler.

domingo, 24 de junho de 2007

Me duele tanto!

Quem disse que não gosto de nada?

No puedo arreglar amor!

Salve Machado!


Até onde um ser humano pode ir para alcançar seus objetivos? Não existe pergunta mais lugar-comum do que essa, mas a gente sempre se surpreeende com as atitudes das pessoas. A busca pelo auxílio sobrenatural é uma dessas coisas que ainda me chocam.


Quem ainda procura cartomantes? Certamente não é uma pessoa que tenha lido Machado de Assis. Depois do "Vá, ragazzo innamoratto...", sabemos o que aconteceu com o Camilo. E com a Rita. Pra que procurar cartomantes? É certo, alguém sempre vai se ferrar. Pra que fugir?


Aquela história de "Existe uma pessoa na sua vida...", "Você não é totalmente feliz...", "Você precisa se valorizar...", "Vai acontecer algo de importante..." Três letrinhas pra comentar: c-a-o. Esqueci o acento: caô. Dos brabos.


Algumas amigas já foram a cartomantes. Não conseguiram evitar o canto da sereia. Isso porque achavam que, se não se arrumassem agora, seria o canto do cisne. É o desespero. Não é falta de sexo propriamente. É só o desejo de não ter mais como se espalhar tanto na cama.


As cartomantes enxergam isso. Para elas só o desespero constrói. Só a dor alheia paga o condomínio da quitinete. Precisa ser vidente quando uma mulher bonita, bem vestida, com cara de bem resolvida vem te procurar? É claro que só pode estar querendo o homem de alguém, ou tentando descobrir quem é a vagabunda que está atrás do homem dela. Ou seja, é o serviço mais fácil do mundo.


"Você vai conseguir uma promoção..."


"Alguém vai te ligar hoje..."


Quando você achava que algumas pessoas já tinham atingido o fundo do poço, não é que elas ainda têm unha pra cavar?

Inexorável destino?


Qual o problema em se ter uma única mulher por um período superior a 10 anos? Pra mim, nenhum. Só tenho uma há 12. Entretanto, para alguns, isso é uma impossibilidade, e, no meu caso, para esses mesmos alguns, uma improbabilidade, dado um passado obscuro na graduação.


Como um professor poderia passar incólume por uma vida de tentações? Logo o professor, que só teria essa diversão na vida! É uma pergunta meio complicada com respostas inacreditáveis. No entanto, não cabe uma discussão muito longa a respeito. Não estou pra paredão.


Esse tópico surgiu em um encontro de professores amigos que têm uma prática interacional com alunos que vai além das quatros paredes da sala de aula. Complicado. Aluno, como afirmam alguns, não tem alma. É condição inerente deles, sine qua. Dessa forma, que garantias teria o pobre do professor de não ser descoberto avançando em uma micareta fora de hora? É só ver o que aconteceu com a coitada aí do lado.


O professor não tem garantias nem de continuar professor até o fim do semestre! Que dirá conseguir daquela aluna o segredo sobre seu desempenho. O problema está tão disseminado, que acredito que algumas faculdades vão criar um item na avaliação institucional do tipo "Seu professor(a) utiliza material audiovisual em escapadas sexuais?" ou "Seu professor utiliza linguagem suja o suficiente para estimulavocê satisfatoriamente?" E por aí vai.


Onde se ganha o pão não se come a carne, diriam alguns; escreveu, não leu, o pau comeu, diriam outros. Quem está certo? Não posso afirmar. Só sei que, até hoje, foi mais seguro pra mim gostar de mais de uma banda como o "Heróis da Resistência" do que da "Luxúria"...

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Esqueçam o que disse


Acho que não existe nada pior pra uma pessoa do que ser esquecida. Aquelas separações cheias de caô sempre terminam com um "Eu nunca vou te esquecer..." ou "Promete que não vai me esquecer?" Não adianta prometer absolutamente nada. Esquecer não é um processo voluntário. Apenas se esquece o que se considera desimportante. É complicado quando te consideram desimportante, por isso ninguém quer ser esquecido.

Deixando de lado essa viadagem toda do parágrafo anterior, lembrei-me desse pessoal do orkut que manda mensagem, dizendo que está deletando o perfil. Pô, pra que se dar ao trabalho? Os caras querem, no mínimo, que alguém ligue ou mande um e-mail, perguntando o motivo. O engraçado é que esse pessoal normalmente não faz a menor diferença no meu convívio. O mais simples seria não falarem absolutamente nada. Quer sair do orkut? vai, meu filho, mas não enche minha caixa de mensagens.

E os alunos que se acham inesquecíveis? Pra mim sempre serão. Sempre que paro em um posto de gasolina ou loja de calça jeans tem um. Como esquecê-los? Como esquecer que tudo o que você transmitiu a eles não serviu de absolutamente nada? Talvez por isso eles não queiram seresquecidos. Querem provar que você é um fracasso, e os culpam por isso.


Talvez eu seja realmente um fracasso. Senti isso no momento que comecei este post. Tem post, aliás, que merece ser esquecido. Este é um deles.


É muito interessante. Justamente o povo mais desimportante é que não quer ser esquecido.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Filho de peixe...

O telefone toca. O garoto mais velho (seis anos) atende:

- Alô. - A avó ,bem educada como sempre, retruca:

- Gabriel, chama tua mãe aí, que eu não falo com criança ao telefone!

Recapitulando. O texto da avó seria uma resposta a um texto do filho dela- eu - direcionado a um agregado - um garotinho de 7 anos, chato que só ele.

Uma semana depois. Toca o telefone.

- Alô.

- Gabriel, o Jefferson (o agregado) ganhou curso de inglês gratuito por seis meses na escola e... - Agora quem retruca é o garoto:

- Ó, vó, eu não tenho idade pra fazer curso de inglês. Além disso, você falou que não fala com criança no telefone. Tchau. -Desligou.

Isso não se faz... Genética é flórida.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Mãe é mãe



Minha mãe é fã do Romário. Até aí tudo bem, pois eu também sou. Só que minha mãe se expõe ao ridículo. Ela já foi a São Januário pra dar um presente pro cara! Isso explicaria muito do meu suposto mau humor, mas não é só.





Jogo do milésimo. Eu nem aí. Toca o telefone, e uma mulher chorando:





- Você tá vendo, meu filho? - Ao que respondo:





- Mãe, vai procurar o que fazer!





É sempre assim. Depois, uma semana de silêncio entre as partes, o que é bom pra mim. Sei que muitos achariam isso um horror, mas esses seriam os hipócritas do outro texto. A relação mãe/filho, depois do casamento dele deve ser restrita a momentos de, no máximo, 90 minutos/fim de semana.





Eu não agüento. Sabe aquele filho do vizinho, que você sabe que é um primor de vagabundo? Pois é, agora ele está trabalhando na xerox e, pelo jeito que ela fala, deve estar ganhando mais que você que trabalha 12 horas por dia e anda de carro mais umas 3.




Todos parecem melhores que você. Logo você que paga o plano de saúde, que leva pro hospital, que paga a passagem de avião pra ela perder o vôo e, depois, você ter de pagar a passagem novamente. Logo você.





Sabe aquela sua ex-namorada vagabunda? Pois é, agora é mãe de família e, por um acaso, você sente pelo papo que ela é melhor que a mulher que você escolheu pra casar.




Hoje já não me estresso. Passei 26 anos aborrecido. Agora uso toda minha gentileza para me afastar quando necessário. E olha que isso é muito fácil pra mim, basta pensar em todos como alunos de Ensino Médio. Assim até minha mãe tem medo de mim certas horas. Horrorizados?


Sabe o que é uma mulher com depressão não tomar o remédio e vir te encher o saco? Eu sei. Sabe aquela obra que você sabe que não vai dar certo, mas ela insiste em executá-la - com o seu dinheiro ? Eu sei. Muito. Pois é.




Amo minha mãe, mas é ela lá, e eu cá.