quinta-feira, 26 de julho de 2007

Engodo

As férias estão acabando. Lá se vai o sossego das salas de espera dos consultórios médicos, da aula de teclado. Agora o bebê vai ter de procurar outro colo.
Lá se vai o futebol das quartas. A saber, futebol sub-7, do garoto mais velho. Lá se vai aquela partida de playstation, o Ben 10, o Shrek 3, o Pan no Maracanã com sol a pino nos cornos. Lá se vai. Lá se vai a baba que insiste em cair no olho quando levanto o garoto.

Chega de ser babá. Agora tudo volta ao normal. É nova temporada na área. Alguns personagens são recorrentes; outros, nem tanto. Esse é o problema das pessoas que, como eu, vivem dois anos em um: todo semestre tem surpresa. Nunca alvissareira.
Lá vêm os corpos sem alma. Lá vêm as avaliações. Lá vêm as restrições a sua pessoa . Lá vêm os comentários sobre como tudo continua a mesma coisa.
Só tem uma vantagem: é tanta gente pra ter que lidar, que é impossível enrolar tanto como fiz até aqui.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Correndo por fora


E o prêmio de musa do Pan vai para:


REBECA GUSMÃO!!!

domingo, 22 de julho de 2007

Mandando andar


Top 5 de desculpas para terminar relacionamento com aquela pessoa super gente boa que nunca dá motivos pro "break-up". Utilize a adequada à situação.




1. Clássica: "Não é você, sou eu."




2. Zodiacal: "Eu te amo, mas tô vivendo o maior inferno astral."




3. Reversa: "Eu sinto que amo você muito além do que você me ama."



4. Esportiva: "Estou muito envolvido e tenho medo de machucar."




5. Médica: " Eu tenho que te contar: minha mulher está com câncer e tenho que dar uma moral pra ela se recuperar. Pois é, eu sou casado."





Eu sou bom; eu sou mau!


Trato social sempre foi o meu forte. Consigo me adaptar a qualquer ambiente, seja ele hostil, seja amistoso. Se for hostil, melhor ainda, pois não preciso agradar ninguém. É bom não ter que se dar ao trabalho de ficar cumprimentando idiotas.


Muitas pessoas têm a falsa de idéia de que me magoaria um virar de cara na rua, um olhar atravessado, ou um comentário escarnecedor. Eu acho isso ótimo. É uma grande vantagem a pessoa viver num mundo sabendo que não vai se decepcionar com ninguém, uma vez que sabe que todos são fura-olhos em potencial.


Gosto quando as pessoas falam mal de mim. Isso mostra que as atingi de alguma forma e que, de alguma forma, elas se interessariam por um agrado de minha parte. O fato de me esculacharem só demonstra um frustração. Pior pra elas, pois, delas, eu só esperava o pior.


Acontece que, como falei antes, também me adapto a ambientes amistosos. Por exemplo, é difícil alguém acreditar em determinadas situações que eu sou mal humorado. Pelo contrário, sou a "alma da festa"! Sério. Mas isso acontece pouco, é verdade. Só quando vale a pena.


O problema é que moro em um lugar em que 50% das pessoas, pelo menos, são acometidas de uma doença incurável: a imbecilidade crônica. Se não têm a doença, são portadoras do vírus.


Como lidar com imbecis? Basta ativar o superpoder da invisibilidade, quando estiver na rua, ou trabalhar em "off": desliga-se o seletor de intolerância. Só dá pra viver razoavelmente assim.


As sumidades perguntariam: "Então, por que você vive nesse lugar?" A resposta é óbvia: a gente tem necessidade de sentir superior também, né? E não dá pra se sentir diferente.
Algumas dessas pessoas - não todas - andam de nariz em pé depois que terminam sua graduação na boate sabatina, sua Pós a distância, seu Mestrado Profissional. Pronto: "The world is mine!", pensam.

Beleza. Agora todas têm pelo menos três canudos pra colocar as bijouterias que vão vender nas salas de professores das escolas públicas!

quarta-feira, 18 de julho de 2007

O que é ? O que é ?


Espantosa a curiosidade do ser humano. As pessoas não podem ver absolutamente nada um pouco fora do normal que já pensam em perguntar a respeito. E o detalhe é que, quando têm chance, as pessoas perguntam algo que não tem nada a ver pra que consigam a resposta desejada.


Quando o curioso descobre o que aconteceu se sente aliviado, parece ter tirado um peso absurdo das costas. Ele precisa saber, é obrigação da pessoa contar pra ele.


Minha mulher fez dermoabrasão, que é uma espécie de lixamento cirúrgico da pele. Não é peeling - antes fosse, pois seria bem mais barato. Acontece que o "pós-operatório" é um problema. O rosto fica em carne viva, a pessoa se sente uma aberração, e os curiosos tratam a pessoa como aberração.


Os conhecidos não perdem a oportunidade: "E aí, foi dente?" "Espinha?" "Queda?" "Acidente?"


Isso tudo olhando nos olhos, revistando todo o rosto, fazendo cara de nojo. Assim, a pessoa não pode sair de casa. Não é nem por causa do sol, mas por causa dos curiosos.


Agora, imagina a situação: a mulher com o rosto irreconhecível tem de entrar na farmácia para comprar o medicamento que servirá para o local:


"Por favor, o senhor tem KY?"


Pois é. Imaginem que no local deve ser utilizado o famoso gel lubrificante. A mulher vai à farmácia e ainda tem aturar a cara do farmacêutico com ar de "Naõ-acredito-que-ela-pensa-em-sexo-com-a-cara-enfaixada-desse-jeito".


"Me dá dois."


Um já dava conta, mas, sabe como é, né? Já que está ali mesmo...


segunda-feira, 16 de julho de 2007

Gostos musicais


Há pouco tempo, fiquei sabendo que não conhecer a Mart´nália (acho que é assim que se escreve) me tornava um ser desantenado. Pô, desconhecer as músicas de uma revelação da MPB como a Mart´nália? Confesso, senti-me mal - com o perdão do cacófato. É chique gostar da moça.


Além de não saber cantar, de nunca ter ouvido uma música sequer da filha do Martinho da Vila, confesso que detesto. Assim como detesto, alguns quase sem conhecer e outros tendo ouvido pouco da obra:
  1. a Maria Rita;


  2. a Vanessa da Matta;


  3. a Ana Carolina;


  4. a Ivete Sangalo;


  5. a Simone;


  6. a Elba ramalho;


  7. a Marjorie Estiano;


  8. a Adriana Calcanhoto.


Tem mais gente:



  1. o Zeca Baleiro;


  2. o Zé Ramalho;


  3. o Belchior;


  4. o Moska;


  5. o Otto;


  6. o Alceu Valença;


  7. qualquer um dos Netinhos;


  8. da música baiana carnavalesca;


  9. qualquer dos contratados da Biscoito Fino.

Sobrevivo. Respeito quem gosta. Quer dizer, não respeito, mas não falo diretamente. Acho um saco esses artistas, e tenho o direito de achar. Chega! Já basta a minha infância em que tinha de ouvir Roberto Leal, que minha mãe adorava.

Hoje eu naõ estou nem um pouco a fim de ouvir que eu tenho de gostar do Jair Oliveira porque as músicas dele são demais. Olha só, respeito o Jairzinho porque a mulher poderia ser dividida em duas e, ainda assim, seriam dois filezões. Entretanto, a música do cara é chata; a irmã é chata (com voz anasalada); o pai é chato, chato, chato. Enfim, o Jairzinho não vai morrer por causa disso; os outros, sim. De inveja.


Citei o Otto, né? O que de bom fez esse cidadão? Que eu saiba, de bom mesmo só foi engravidar a Alessandra Negrini, apesar de haver controvérsias.

Ainda espero na nova safra da MPB alguém com a categoria do Djavan, com a voz do Ed Motta, com o suingue do Jorge Ben. Olho pra longe e só sinto cheiro de marra. Só que marra eu também tenho, só não tenho talento. Assim como muita gente citada lá em cima.

A montanha vaia Maomé


O Lula não gostou de ser vaiado na cerimônia de abertura do Pan. Não só não gostou, como, de pirraça, recusou-se a fazer a abertura solene dos jogos. Isso é uma bobagem. Que outro oportunidade haveria para que o povo manifestasse indignação com qualquer coisa? Só ali mesmo. Não dá pra chegar nem perto do Alvorada. Outras vaias soaram mais sem propósito.


Pra que vaiar delegação americana, por exemplo? Invasão do Iraque? Falta de discussão sobre o etanol? Nada disso. Talvez seja pelo conjunto da obra. Ninguém da delegação tem algo a ver com as frustrações do brasileiro. Parece que vaiar americano é obrigação. Vaiam porque eles cancelaram Arrested Development, porque não melhoram o enredo de Desperate Housewives, porque fazem doce pra conceder visto, porque se recusam a falar outra língua que não o inglês, porque nos tratam como subalternos em nossa própria terra.


E o "coitado" do Lula? O Lula é uma espécie de Gerald Thomas dos governantes: não aceita críticas, se acha o único certo e ignora a mídia. Ah, embora não pareça, começou a detestar o povão também. O homem é o próprio ex-presidente em exercício. É um presidente decorativo. Bom de decorar: textos, metáforas e cantos de salas. Mas tem sentimentos. E sofreu no dia.


Eu não ligaria pras vaias. Afinal, qualquer um dos três governantes que se atrevesse a falar ali seria vaiado. Até o abobalhado do Sérgio Cabral - um cara que ninguém leva a sério. As vaias traduzidas significariam algo como: "Seu Merda, sai daí."


Quem liga pra isso? Quem se acha além da merda? É muita pretensão do Lula, né não? Por que não olha pra gente que está aquém da merda?


sábado, 14 de julho de 2007

Cobertura do Pan

O show de abertura ficou lindo com o espetáculo de fogos de artifício. Pra quem não notou, houve a participação da comunidade vizinha, a Mangueira, com tiros traçantes que coloriam os céus. Pra carioca isso não é novidade.
O show ficou devendo as participações ilustres de Garotinho, Rosinha, Beira-mar e Linho - sim, parece que está vivo. Entretanto, senti falta do Mr. Catra, da Daise da Injeção e das meninas da Gaiola das Popozudas. Abertura é com elas.
Certamente, o destaque do Pan foi a contagiante performance da equipe feminina de ginástica artística. Lideradas por Jade, Danielle, Daiane e, o nome de maior expressão, Diego Hypólito, a equipe fez bonito.
Muito bonita a participação do futebol feminino. Duas goleadas. As beldades Kátia Cilene, Marta e Formiga só lamentaram não poder jogar no Maracanã. Afinal, são só 500 metros da Vila Mimosa, onde elas poderiam comemorar a vitória mais à vontade. E bem baratinho.
Destaque também para o porto-riquenho que ganhou do tal do Márcio no taekwondo. Era clara a mistura de "Romeu tem que morrer" com "Matrix". Ganhou pelo ballet.
Do Pan, no momento, só aguardo ansiosamente as meninas do nado sincronizado. Claro, depois das gatas do basquete!

sexta-feira, 13 de julho de 2007

PHD

Agora todo mundo quer ser chamado de doutor. Até esteticista. Pô, se é assim, pra que eu leio aquela bibliografia de Direito, Lingüística, tento fazer relações e busco comprovação de hipóteses, quando só me seria necessário saber tirar cravos?
Massoterapeutas, fisioterapeutas, enfermeiros, fonoaudiólogos, quiropráticos, além dos já famosos advogados e dentistas, exigem para si a alcunha de doutores.
Venho de público requisitar o título para as secretárias de dentista, cabeleireiras, manicures e mães e pais-de-santo - desde que devidamente paramentados.
Negue-se aos acadêmicos o mesmo título. Daqui a pouco, aquele ex-aluno que trabalha no balcão da farmácia vai me dar os parabéns pelo título e dizer que agora estamos no mesmo nível. É bem por aí. Hoje o Doutor em Letras, Literatura Comparada, Estudos Lingüísticos, o que seja, vale pouco menos que o atendente da farmácia - que já é doutor, por conta do jaleco.
Não quero o título de Professor-Doutor. Vulgarizou-se. Além disso, minha tese não tem título com dois-pontos, dá pra mais de uma pessoa ler.
De igual às outras só o fato de poder ser usada como peso de papel. Ah, e de calço pra estante que está meio torta.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Couvert

Vida em sociedade tem uma definição básica: eterno degustar de sapos. Sempre se precisa de alguém. Tem sempre um favor. A fazer ou a receber. Sempre se deve aturar a falha no comportamento alheio, afinal ele (a) não está num bom dia.
Descobri que sou fã de sapos. Sapo é comigo mesmo. Se é pra engolir o desaforo, beleza, make my day! Manda ver. Mas aí dizem que sou grosso quando me engasgo. Ora, me entendam, eu aprecio o sabor. Os outros, no entanto, precisam aprender a admirar a iguaria.
Não é exagero de minha parte quando comento que a vida é um eterno "abrir mão". Pense em o que você fez durante o dia que não gostaria de ter feito. É isso: felicidade é para aqueles que sabem não esquentar com nada. Em alguns momentos, ignorância é bênção.
Marido abre mão. Mulher abre mão. Pai, mãe, filho, filha, todos abrem mão. Empregado só abre mão. Amigo que é amigo abre mão. E fingimos que tudo vai bem, mastigando o sapo, saboreando-o, muitas vezes sem a bebida adequada. Todo dia. Todo o dia.